"Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o
meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem
exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além,
compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não
daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era
seu."
29 de setembro de 2012
Eu não queria ter que falar...
E tanto tempo terá passado, depois, que tudo se tornará cotidiano
e a minha ausência não terá nehuma importância.
Serei apenas memória, alivio (...)"
Caio 3 D: o essencial da década de 1980, pág 106
Caio Fernando Abreu.
e a minha ausência não terá nehuma importância.
Serei apenas memória, alivio (...)"
Caio 3 D: o essencial da década de 1980, pág 106
27 de setembro de 2012
Minha alma hoje
Sê
Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.
Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.
Se não puderes ser um pinheiro, no topo de uma colina,
Sê um arbusto no vale mas sê
O melhor arbusto à margem do regato.
Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore.
Se não puderes ser um ramo, sê um pouco de relva
E dá alegria a algum caminho.
Se não puderes ser uma estrada,
Sê apenas uma senda,
Se não puderes ser o Sol, sê uma estrela.
Não é pelo tamanho que terás êxito ou fracasso...
Mas sê o melhor no que quer que sejas.
Pablo Neruda
25 de setembro de 2012
É assim mesmo
Sei lá menina, tá tudo tão legal, e um legal tão batalhado, um legal merecido, de costas e pernas doendo, mas coração tranquilo.
Não puxo saco de ninguém, detesto que puxem meu saco também. Não faço amizades por conveniência, não sei rir se não estou achando graça. Odeio dois beijinhos, aperto de mão, tumulto, calor, gente burra e quem não sabe mentir direito.
Não puxo saco de ninguém, detesto que puxem meu saco também. Não faço amizades por conveniência, não sei rir se não estou achando graça. Odeio dois beijinhos, aperto de mão, tumulto, calor, gente burra e quem não sabe mentir direito.
Caio Fernando Abreu
Retirado de: http://pensador.uol.com.br/poemas_de_caio_fernando_abreu/
S & A - Eu e você, assim...
"Eu quero nós. Mais nós. Grudados. Enrolados. Amarrados.
Jogados no tapete da sala. Nós que não atam nem desatam.
Eu quero pouco e quero mais. Quero você. Quero eu. Quero
domingos de manhã. Quero cama desarrumada, lençol, café e
travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não cansa."
Jogados no tapete da sala. Nós que não atam nem desatam.
Eu quero pouco e quero mais. Quero você. Quero eu. Quero
domingos de manhã. Quero cama desarrumada, lençol, café e
travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não cansa."
Caio Fernando Abreu
Poesiando...
"Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir
embora... Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços,
sem deixar endereço."
Caio F. Abreu
PS: Meu desejo "secreto".
"Não, ela não era tola. Mas como quem não desiste de anjos, fadas,
cegonhas com bebês, ilhas gregas e happy ends cinderelescos, ela queria
acreditar. "
cegonhas com bebês, ilhas gregas e happy ends cinderelescos, ela queria
acreditar. "
Caio Fernando Abreu
Retirado de: http://pensador.uol.com.br/poemas_de_caio_fernando_abreu/
"Se me perguntarem como estou, eis a resposta:
Estou indo. Sem muita bagagem.
Pesos desnecessários causam sempre
dores desnecessárias.
Esvaziei a mala, olhei no fundo dela, limpei, e estou indo…
preenche-la com coisas novas.
Sensações novas, situações novas, pessoas novas.
Tudo novo."
Caio Fernando Abreu
Estou indo. Sem muita bagagem.
Pesos desnecessários causam sempre
dores desnecessárias.
Esvaziei a mala, olhei no fundo dela, limpei, e estou indo…
preenche-la com coisas novas.
Sensações novas, situações novas, pessoas novas.
Tudo novo."
Caio Fernando Abreu
Fico pensando às vezes como deve ser bom ligar e dizer
"aconteceu algo terrível, sinto que não vou suportar" e ouvir "senta e
me espera, to indo agora te ver".
Seria bonito, e as coisas bonitas não acontecem mais!
Seria bonito, e as coisas bonitas não acontecem mais!
Caio Fernando de Abreu
Ainda que seja um dia... - Um pouco das minhas 'estórias' -
Albertine foi até a varanda da frente da casa e sentou na cadeira de balanço. O dia estava quente, as cores eram vivas, porém cobertas com tons amarelados, por causa da itensidade dos raios do sol. Ela pensava: "Minha vida agora será aqui?". Fazia vinte dias que sua avó falecera e ela fora levada para morar na casa de sua tia Consuêlo (a chamava de tia, mas era apenas a esposa de seu tio), que era uma mulher calada e observadora. Seu tio foi buscá-la logo que organizaram um quarto para a moça ficar. Albertine tinha dezenove anos, era bonita, cabelos e olhos castanhos, pele alva e boca em um tom de rosa, meio apagada. Sabia ler e escrever, mas não aprendera nenhuma profissão. Morava com a avó, que já era muito idosa. Seus pais faleceram em um acidente em alto-mar quando ela tinha apenas três anos de idade. Daí passou a morar com a avó, que agora também falecera, deixando-a sob os cuidados dos tios, que lhe eram praticamente estranhos. Não tanto por tio Ângelo, irmão de sua mãe, que lhe demonstrava grande afeição, mas por causa de tia Consuêlo, que mal lhe abria a boca para conversar o mínimo assunto.
Ela olhava para o mato em frente a casa e para a poeira, que podia ser vista através da luz. Seu coração parecia dormir, estava calmo como um lago. Amava sua avó, mas acreditava que ela estava feliz, em um lugar bonito, e que lhe sorria através das nuvens. Não sentia dor, apenas saudade...
Os dias haviam passado monótonos e silenciosos, ela falara poucas vezes, apenas para perguntar uma coisa ou outra a tia, já que não conhecia bem a casa onde estava vivendo.
Os meses foram passando e Albertine sentiu-se cada vez mais acostumada com a vida na casa dos tios, mas sentia falta de algo. Perguntou ao tio se ela não tinha como lhe arranjar um trabalho, alguma ocupação. Este lhe prometeu que falaria com os amigos e, caso conseguisse algo, logo lhe comunicaria. Ângelo não era um homem rico, mas tinha terras e animais, a esposa não trabalhava e eles não tinham filhos. Logo viviam muito bem. Para ele era uma alegria ter Albertine em casa, já que a mulher mal conversava. Para Albertine era uma tortura passar os dias ao lado da tia, sempre silenciosa, como olhos muito compenetrados e investigadores. Não parecia em nada com sua avó, sempre atenciosa e sorridente. Com a avó podia falar qualquer tipo de assunto, ela sempre vinha com sua histórias da juventude.
O dia amanhecera nublado e frio. Lá fora tudo estava úmido, e o cheiro de terra molhada tomava conta da varanda. Albertine estava lendo um livro de poesias quando seu tio apareceu.
- Acho que consegui algo para você.
- Uma ocupação?
- Sim, na livraria do Sr. Fausto. Quer ir até lá, conversar com ele?
- Claro titio. Deixa-me pegar meu xale. Volto em um minuto.
[...]
Continua na próxima postagem...
Anne Dias
E de tarde...
Verão
Se a poça d'água foi sorvida pela terra, agora cheguei na idade onde o mundo começa gradualmente a esperar algo de mim. E cada ano que passa essa expectativa aumenta. Apenas o fato de existir já é suficiente para que essa cobrança seja feita. Acho isso tão estranho, em nome do que deveria obedecer o que me pedem? E se eu simplesmente não quisesse participar de nada? Respeitosamente declinaria de todos os convites que me fossem feitos. Com discrição, me retiraria da grande estrada dos estinos comuns, e procuraria picadas alternativas, aonde pudesse apenas observar o movimento. Eu acompanharia a grande estrada apenas com meus olhos.
[...]
Retirado de: Flores Coloridas, de Guido Viaro
Muito bom esse livro, não o li todo, mas pelo pouco que li percebo que é muito interessante.
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